Equívoco lamentável

O exemplo da VASP

 

Aeros: a fragilidade dos fundos em tempos de crise

 

Os motivos que levaram o Ministério da Previdência a decretar a liquidação extrajudicial do Aeros, fundo de pensão dos funcionários da Vasp, deixaram preocupada a diretoria da ASEAC e os técnicos da entidade com relação ao futuro da PRECE. Isto porque, além de mostrar a importância de os participantes acompanharem de perto a gestão dos recursos, a intervenção no Aeros deixa claro que, quando a mantenedora enfrenta situações de crise, um dos primeiros segmentos a sofrer as conseqüências é o fundo de previdência dos empregados.

 

Segundo o Ministério da Previdência Social, o fundo Aeros já estava sob intervenção por problemas financeiros, porque a Vasp não fazia, desde setembro de 2004, os depósitos nas contas dos 860 funcionários (300 aposentados) beneficiários. Os técnicos da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) já iniciaram uma auditoria para mapear o real patrimônio do Aeros. Em seguida, será feita a venda de ativos (aplicações financeiras, imóveis etc.). A prioridade é o pagamento dos aposentados.

 

No caso da PRECE, o temor da ASEAC se deve à falta de informações  sobre a gestão do fundo de previdência dos trabalhadores da CEDAE, pois não se tem dados seguros a respeito dos investimentos realizados e acerca dos repasses que devem ser feitos pela empresa: “Sabemos que a situação da CEDAE não é tranqüila. Se ela deixa de pagar as contas da Light, fundamentais para a empresa continuar operando, fica difícil imaginar a situação dos repasses à PRECE e à CAC”, adverte o presidente da ASEAC, Flávio Guedes.

 

Patrimônio dilapidado

 

Pelas estatísticas do ministério, o patrimônio do Aeros é de apenas R$ 19,111 milhões, o que o coloca entre os fundos de pequeno porte. Entre os 342 fundos de pensão do país, o Aeros ocupa a 281ª posição. A situação da Vasp se agravou no final de janeiro, após sucessivos cancelamentos de vôos, sob a alegação de que a ocupação dos assentos estava abaixo de 50%. Por causa desses cancelamentos, o Departamento de Aviação Civil (DAC) cassou as oitos rotas de vôos da empresa que, desde então, não está operando.

 

O Aeros já estava sob intervenção do governo há 10 anos. Segundo notícias publicadas na imprensa, a intervenção no fundo foi marcada por uma sucessão de problemas, entre eles o empréstimo de R$ 200 milhões que teria sido autorizado pelo interventor Camilo Calazans, ex-presidente do Banco do Brasil. O crédito teria sido concedido ao presidente da Vasp, Wagner Canhedo, que acumulava o cargo de presidente do fundo de pensão. Ainda de acordo com dados publicados pelos jornais, a única garantia recebida por Calazans teria sido um cheque assinado por Isaura Canhedo, mulher de Wagner Canhedo. Calazans acabou sendo afastado do cargo de interventor, que ocupou de 1995 a 1999, depois que uma comissão de inquérito descobriu o empréstimo. Ele foi impedido de exercer cargos no setor de previdência complementar.

 

Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas, 860 aeronautas e aeroviários que investiram parte do seu salário no fundo durante muitos anos podem perder tudo. Em 31 de dezembro de 2003, a Vasp devia ao fundo Aeros R$ 345 milhões. Parte desses recursos já havia sido descontada dos funcionários.

 

 


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