Futuro em jogo
Governo federal cria programa para recuperar a bacia do rio Paraíba do Sul, mas técnicos da CEDAE alertam para a necessidade urgente de mais atenção com a degradação do rio Guandu.
Custo
crescente pode inviabilizar o tratamento da água
A ASEAC vai solicitar ao presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, que estenda às indústrias e municípios localizados na Bacia Hidrográfica do Rio Guandu os benefícios do programa criado pelo banco para recuperar a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul.
A ASEAC aplaudiu a criação do programa pelo BNDES, mas entende que a proteção do ecossistema do Guandu também é fundamental para garantir o abastecimento de água aos cerca de 8 milhões de habitantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, pois a água bruta que chega à Estação do Guandu sofre os efeitos diretos da contaminação do rio pelas indústrias e pelos municípios localizados nela. Especialmente as cidades de Japeri, Paracambi e Queimados, que despejam toda sorte de detritos, inclusive esgotos “in natura”, nos rios Ipiranga, Poços e Queimados, que deságuam no rio Guandu, a cerca de 500 metros à jusante da captação da ETA do Guandu, ajudando a comprometer a qualidade da água bruta.
Além dessa agressão, uma série de outros fatores dificulta muito o tratamento da água e acelera o processo de degradação ambiental do rio Grandu. Uma delas é a disposição de lixões na bacia hidrográfica do rio. Segundo os técnicos da ASEAC, o desmatamento na região também é muito sério. Sobrevoando a bacia, é possível ver muito desmatamento, que prejudica sensivelmente aquele ecossistema, pois a falta de vegetação elimina a possibilidade da retenção de água no solo, que favorece muito a recarga dos mananciais.
Outro problema grave é a retirada ilegal de areia, por falta de fiscalização. Os técnicos da ETA do Guandu já fizeram um relatório da Bacia, mostrando as implicações que os areais têm com o processo de tratamento e o quanto se gasta a mais por conta da piora na qualidade da água bruta, principalmente a turbidez e a relação cor/turbidez.
Por conta de todos esses fatores, a qualidade da água bruta do rio vem piorando sensível e gradualmente, ano a ano, levando os técnicos a temerem que a água daquela bacia atinja níveis de intratabilidade, a exemplo do que já ocorreu com os rios Botas e Iguaçu, que alimentavam, a ETA Caxias, e Guandu Mirim, que fornecia água para a ETA Santos Malheiros, ambas extintas. Daí a importância de se estender à Bacia do Guandu a linha de crédito criada para salvar o Paraíba do Sul.
O Programa para a Despoluição da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul (Prodespar) foi criado pelo BNDES em maio último. Seu objetivo é financiar projetos de implantação de sistemas de coleta e tratamento de esgoto sanitário nos municípios da Bacia, tratamento de efluentes industriais, fiscalização, controle de erosão e educação ambiental. O programa oferece condições bastante favoráveis de empréstimos, garantindo às prefeituras, empresas privadas de setores produtivos e companhias públicas e privadas de saneamento 90% dos recursos necessários para investimento. Municípios com até 50 mil habitantes poderão obter 100% do financiamento. O programa ainda está em fase de análise, devendo ser operacionalizado pelo BNDES no segundo semestre deste ano.
