SOS Paraíba do Sul

Função social X Lucro

 

Acidente mostra a diferença entre

o atendimento público e o privado

 

 

    O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento Básico de Campos dos Goitacazes, Hélio Anomal, acusou a secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro de não ter agido com a empresa privada Águas do Paraíba, responsável pelo abastecimento de água em Campos, com o mesmo rigor com que agiu nos demais municípios, onde o setor de Saneamento Básico é representado pela CEDAE, na hora de liberar a retomada do abastecimento de água.

A denúncia foi feita por ele durante reunião na ASEAC para fazer um balanço da atuação da CEDAE no episódio do acidente que contaminou as águas dos rios Pomba e Paraíba do Sul, comprometendo o abastecimento de água. Hélio Anomal disse ainda que até agora não foram publicados os laudos de análises feitos naquela cidade e ninguém teve acesso a eles, embora a secretaria de Saúde tenha liberado rapidamente o abastecimento de água na cidade.

O diretor do sindicato de Campos estranhou também que a secretaria de Saúde tenha liberado o abastecimento no município em Campos antes de liberar na cidade de São Fidelis, que fica a Montante, por falta de condições. “Ora, onde está o rigor sanitário: se a água de São Fidelis, que fica antes, não estava própria para consumo, como a de Campos poderia estar”, questionou o sindicalista.

O diretor do Sindicato de Campos fez uma outra denúncia, envolvendo o acidente do rio Paraíba do Sul: “Quando foi liberado o abastecimento, a água do rio, em Campos, estava acusando um índice de cloro dentro dos padrões permitidos pela legislação (0.2/0.3). Já, na ponta da rede, a água coletada por nós, acusava 2.0, um índice altíssimo, muito mais alto do que o permitido, e ninguém disse nada. Isso quer dizer que se todo aquele material despejado no rio Paraíba do Sul fosse cancerígeno, que se reagisse com o alto índice de cloro, teria comprometido a saúde da população de Campos, por irresponsabilidade da concessionária privada”, acusou.

 

Responsabilidade social

 

Por sua vez, o diretor de Tratamento e Produção da CEDAE explicou que o critério adotado pela CEDAE foi o seguinte: “onde o problema era maior, a gente chegava e atuava”, explicou Alcione Duarte. Por isso, alguns sistemas que ficam a jusante do ponto de derramamento foram liberados antes. “Em São João da Barra, por exemplo, que fica na foz do rio, o abastecimento foi liberado antes de Santo Antônio de Pádua e Miracema, na região noroeste. Mas lá, havia o risco muito maior de um problema sanitário, por conta da falta de alternativas”.

Antes de comentar as denúncias do sindicalista, Alcione Duarte fez questão de agradecer o apoio pessoal da governadora Rosinha Matheus e o empenho do secretário de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde, cuja sensibilidade foi de fundamental importância para a rápida solução do problema. O diretor da CEDAE lembrou ainda que a CEDAE é a Companhia que trata o maior volume de água do planeta, e, por essa razão, é reconhecida, respeitada em todo mundo. Isso faz com que os técnicos da empresa tenham uma capacidade técnica muito grande. No episódio do acidente, os técnicos assumiram o sofrimento da população e partiram para a busca de soluções alternativas para garantir o abastecimento.

“É evidente que, por ser uma empresa pública, essa foi a maior preocupação da CEDAE, para poder atender a população no que diz respeito à preocupação sanitária que todos tinham - população, prefeitos, lideranças comunitárias, ecologistas etc. Já a empresa Águas do Paraíba, por ser uma concessionária privada, provavelmente ficou mais preocupada com as implicações econômicas do acidente, com o esforço de voltar a produzir rapidamente. Nós, por conta do problema, partimos para articular a distribuição de água, mobilizar carros-pipas, acompanhar a perfuração de poços e tomar outras providências com a comunidade, para dar tranqüilidade e garantia a ela”, explicou Alcione.

De qualquer forma, ele afirma que não houve negligência por parte da Secretaria de Saúde na liberação da água de Campos. Eu acredito que o que houve foi que a concessionária Águas do Paraíba, por estar mais preocupada com a questão empresarial, se articulou mais rápido para liberar logo a distribuição pelo sistema convencional e assim poder voltar a cobrar. Essa é a diferença da empresa pública para a privada: eles estão preocupados com o taxímetro - no caso, o hidrômetro; nós, ao contrário, como estamos preocupados fundamentalmente com a saúde pública, fomos buscar primeiro a tranqüilidade e a segurança da população.

Segundo ele, não adiantava colocar as estações para funcionar e ter de parar no dia seguinte. Ou pior, colocar em risco a saúde da população. Por isso, o melhor era agir com cautela e total segurança. “Cada estação liberada, a gente podia garantir que tinha a nossa chancela de qualidade da água que a gente produz. Por isso, acho que os rigores foram os mesmos, mas eles ficaram voltados somente para uma questão, e nós não”, disse o diretor da CEDAE.

 

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