Auditoria avalia crise na CAC
Até meados de dezembro, a nova diretoria da CAC
Saúde deverá ter em mãos um diagnóstico sobre a situação real do Plano de
Saúde, que vem sofrendo déficits mensais e acumulativos, para poder traçar uma
estratégia destinada a salvar da insolvência a empresa de assistência de saúde
dos empregados da CEDAE. Paralelamente à auditoria que está apurando a siuação
operacional e contábil da CAC, está em andamento uma consultoria que irá propor
um novo modelo para o plano de saúde.
A informação foi dada
à direção da ASEAC pelo atual presidente da CAC Saúde, Paulo Cesar Quintanilha,
durante encontro realizado no último dia 30 de outubro, quando a entidade levou
seu apoio à nova diretoria da empresa, no sentido de colaborar com o que for
necessário no processo de recuperação do Plano de Saúde.
Segundo Quintanilha,
que é técnico de carreira da CEDAE, a situação é bastante grave, mas não chega
a ser irreversível: “O pânico leva as pessoas a potencializarem os problemas,
mas nada do que existe é irreversível, desde que sejam adotadas medidas
austeras, pois a CAC tem um potencial fabuloso”, tranquilizou. O novo
presidente da CAC informou que pretende divulgar o resultado da auditoria
aprovada pelo Conselho de Administração da CEDAE e contratada pela direção da
CAC Saúde, que está efetuando um levantamento administrativo e operaional da
situação.
Vamos mostrar o atual quadro aos associados,
de forma transparente e democrática, e discutir com eles as alternativas de
soluções. Mas o importante é que estamos olhando a CAC a longo prazo,
vislumbrando a situação para os próximos 10 anos. Mesmo assim, algumas ações
emergenciais, apesar de tardias, precisam ser tomadas – adiantou. O presidente
da empresa explicou que essa iniciativa é importante, pois não se pode impor um
aumento na contribuição dos trabalhadores da CEDAE, mas eles precisam saber a
real situação e entender o que é melhor ou pior para eles próprios.
“A palavra de ordem
aqui é austeridade em todos os níveis. Do ponto de vista técnico, temos que avaliar
o que o Plano de Saúde permite oferecer, sem perder o foco da segurança e da
qualidade do atendimento. Estamos tentando, por exemplo, direcionar o
atendimento e, com isso, já teremos uma redu’xcão significativa nos custos”,
acrescentou Paulo Cesar Quintanilha. Na área administrativa, segundo ele,
também terá de haver mudanças, porque o déficit mensal chega a R$ 300 mil por
mês. “A CAC não pode continuar arrecadando R$ 300 mil e gastando R$ 600 mil,
como vinha acontecendo”, explicou. Este é outro ponto polêmico, de acordo com
Quintanilha. Tomando por base outros sistemas similares, temos o Valia (Plano
da Vale do Rio Doce), por exemplo, que atua com 42 empregados para garantir
assistência a 162 mil pessoas em todo o país. Já a CAC tem 225 empregados para
atender 58 mil associados apenas no Estado do Rio de Janeiro.
Apoio irrestrito
Como representante do
corpo técnico da CEDAE, o presidente da ASEAC, Paulino Cabral da Silva,
manifestou à direção da CAC a sua preocupação com relação à atual situação, “principalmente
pela importância que a o plano de saúde tem para os empregados da empresa e
seus familiares”. Em seguida, afirmou que a visita tinha por objetivo demostrar
a total confiança e apoio dos técnicos da entidade à gestão da nova diretoria
da CAC Saúde”.
Depois de agradecer,
Paulo César Quintanilha disse que a responsabilidade é grande, pois “cada
empregado da CEDAE é dono de um pedacinho da CAC”. Em seguida, reafirmou que a
situação é grave e exige medidas não muito simpáticas, mas necessárias, além de
uma atenção redobrada com os custos e, ao mesmo tempo, com a preservação da
qualidade dos serviços. Segundo ele, um dos maiores problemas é a dívida de
curto prazo, que deverá exigir a participação da principal mantenedora – a
CEDAE. “A longo prazo, o trabalho da auditoria contratada vai apontar as
possíveis soluções, “porque o plano de saúde está completamente defasado”.
Explicou que os atuais custos com a rede credenciada são muito altos e
inadequados ao perfil do plano, que trabalha com uma margem de contribuição
pequena e proporcional para todos. “. Então, isso terá de ser revisto, porque
essa diferença tem de ser compensada de alguma forma”, sentenciou.
Além disso, hoje
existem cerca de 172 hospitais credenciados, dos mais variados preços e especialidade.
Alguns, segundo o presidente da CAC Saúde, tem um perfil de custo alto e
qualidade duvidosa, questionada pelos próprios associados. “Já estamos revendo
os contratos, para adequá-los à real capacidade financeira da CAC. Não vamos
manter acordos que não se pode cumprir, evitando os desperdícios”, afirmou.
Quintanilha anunciou também o fechamento do Centro Médico de Miracema, cujo
número de atendimento médio diário não passa de um paciente, e já está revendo
a conveniência dos demais, como Campo Grande, onde deverá funcionar apenas a
representação; e Nova Iguaçu. Outra providência, é reestrutura o sistema de
credenciamento e médicos, hospitais e exames, resgatando o sistema de pontuação
para o credenciamento de profissionais. “Não pretendo fazer nenhum
credenciamento político e vamos analisar os estabelecimentos com critério, para
evitar a superposição de médicos e especialidades em áreas que já estão bem
atendidas”, concluiu.
Além dos presidentes da CAC Saúde e da ASEAC, participaram também
da reunião os diretores Administrativo-Financeiro e Técnico da CAC, Edson Reis
e Antônio Carlos Grilo; e os diretores da ASEAC Aloysio Gomes Feital
(Jurídico), Claudino Victor do Espírito Santo (Comunicação), Antônio Bastos de
Oliveira (Social), Jorge Luis Ferreira Briard (Técnico) e o associado Sérgio
Duarte.
... voltar