Desprivatização
Adiada
audiência no processo de reintegração de posse da CEDAE
A Justiça de Campos dos Goitacazes adiou a audiência que seria
realizada no último dia 18 de julho, destinada a ouvir o depoimento do prefeito
de Campos dos Goitacazes, Arnaldo França Vianna, no processo que o município
está movendo contra a concessionária privada Águas do Paraíba (processo nº
8.715/99), para exigir a reintegração de posse dos bens e instalações
necessários à operação do sistema de abastecimento de água esgotamento
sanitário da cidade e o fim da concessão.
Segundo informações do
próprio diretor Regional do Interior da CEDAE, Oséas de Miranda Barbosa, que
está acompanhando de perto o caso de Campos, a suspensão teria sido pedida pelo
próprio prefeito da cidade – autor da ação, que decidiu fazer uma Audiência
Pública para discutir a questão com a população do município, principal
interessada os serviços de Saneamento. Oséas considera delicada e muito difícil
de reverter a situação em Campos, “mas afirmou que a CEDAE tem de enfrentar o
problema até a solução final”.
O subsecretário de
Saneamento e Recursos Hídricos, Hélio Anomal, ex-presidente do sindicato dos
trabalhadores de Campos, que desde a privatização dos serviços vem lutando para
reverter a situação, vê com preocupação a suspensão da audiência, pois isso
pode representar um recuo do prefeito Arnaldo França Vianna com relação à
decisão de devolver o controle do Saneamento à CEDAE. “Mas tem o lado positivo
também, porque a audiência Pública abre
espaço para o debate com a sociedade” . Segundo ele, para quem tinha uma
situação estagnada, a proposta do prefeito é muito boa para que o assunto volte
a ser discutido publica e amplamente.
- Nós defendemos isso –
o debate democrático. Já tínhamos proposto uma Conferência Municipal para
debater o problema com toda a sociedade e segmentos interessados – disse Hélio
Anomal.
Para
entender as irregularidades
A decisão da prefeitura
de Campos de restituir o controle do Saneamento Básico À CEDAE foi tomada
depois que a empresa privada Águas do Paraíba, decidiu elevar as tarifas das
contas de água e esgotos dos usuários, através de aditivo contratual, negado
pelo poder municipal.
Como a prefeitura se
recusou a autorizar o aumento, a concessionária privada ingressou com um
mandado de segurança contra o município, também negado por unanimidade pela
Justiça local. Mesmo assim, a empresa privada insitiu na elevação das tarifas,
recorrendo ao Tribunal de Justiça do Estado, mas o próprio presidente do TJ,
Humberto Manes, relator do processo, deu parecer favorável ao prefeito de
Campos, confirmando a decisão de Justiça de Campos.
A transferência da
operação do sistema de Saneamento em Campos dos Goitacazes para o setor privado
ocorreu há cerca de três anos, de forma tumultuada e arbitrária, quando a
empresa Águas do Paraíba tomou posse das instalações da CEDAE, sob vistas
grossas do então governador Garotinho e sob forte aparato policial do próprio
Estado e seguranças particulares contratados. Além disso, a invasão foi sustentada
numa série de irregularidades ocorridas no processo de licitação, apontadas
inclusive por uma Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara de
Vereadores local. A posse das instalações da empresa pública contrariava,
inclusive, um decreto do próprio prefeito Arnaldo Vianna (183/99), que tentou
impedir a invasão, e um outro (decreto nº 184/99), através do qual o prefeito
de Campos devolvia a concessão dos serviços à CEDAE.
Desde então, apoiada
pela CEDAE, a prefeitura vem travando uma verdadeira batalha judicial para
impedir aumentos de tarifas e retomar a concessão e os bens pertencentes à
CEDAE. O objetivo principal da ação, na qual a CEDAE atua como litisconsorte, é
devolver a operação dos serviços à companhia estadual que, aliás, patrocina uma
outra ação nesse sentido contra a empresa Águas do Paraíba (processo nº
8621/99), junto à 4ª Vara Cível as Comarca de Campos, através da Procuradoria
Geral do Estado.
Intercâmbio técnico
O novo presidente da
ASEAC, Paulino Cabral da Silva, foi recebido, no último dia 17 de julho, pelo
presidente da CEDAE, Celso Leitão Corrêa. Paulino Cabral foi levar o apoio da
diretoria da entidade ao dirigente da companhia, que pediu o empenho de todos
os técnicos no esforço pelo resgate do importante papel que a empresa sempre
exerceu no cenário do Saneamento nacional. Durante o encontro, um plano de ação
conjunta envolvendo a CEDAE e a ASEAC começou a ser desenhado. A proposta da
ASEAC, que foi bem aceita pela direção da companhia, tem por objetivo criar um
programa de cursos e palestras destinados a reciclar os técnicos da CEDAE
associados à ASEAC.
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