Armadilha perigosa

 

“Eu era feliz e não sabia”

 

Prefeitura de Campos luta para devolver Sistema de Saneamento

à gestão pública da CEDAE

 

    A Justiça de Campos dos Goitacazes marcou para o próximo dia 18 de julho a audiência destinada a ouvir o depoimento do prefeito de Campos dos Goitacazes, Arnaldo França Vianna, no processo que o município está movendo contra a concessionária privada Águas do Paraíba (processo nº 8.715/99), para exigir a reintegração de posse dos bens e instalações necessários à operação do sistema de abastecimento de água esgotamento sanitário da cidade e o fim da concessão.

A decisão da prefeitura de Campos foi tomada depois que a empresa privada decidiu elevar as tarifas das contas de água e esgotos dos usuários, através de aditivo contratual, negado pelo poder municipal. Diante da recusa da prefeitura em autorizar o aumento, a Águas do Paraíba ingressou com um mandado de segurança contra o município, que foi negado por unanimidade pela Justiça local. Mesmo assim, a concessionária privada não desistiu de elevar as tarifas, recorrendo ao Tribunal de Justiça do Estado, mas o próprio presidente do TJ, Humberto Manes, relator do processo, deu parecer favorável ao prefeito de Campos, confirmando a decisão de Justiça de Campos.

A transferência da operação do sistema de Saneamento em Campos dos Goitacazes para o setor privado ocorreu há cerca de três anos, de forma tumultuada e arbitrária. O próprio prefeito de Campos chegou a baixar um decreto (183/99) para tentar impedir que a empresa privada tomasse posse das instalações da CEDAE, baseado numa série de irregularidades ocorridas no processo de licitação, apontadas inclusive por uma Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara de Vereadores local. Em outro decreto (número 184/99), o prefeito Arnaldo Vianna retornava a concessão à CEDAE. Mesmo assim, a empresa ignorou o decreto e, sob vistas grossas do então governador Garotinho, que não moveu “um dedo” para impedir a invasão das instalações da companhia, ocorrida sob forte aparato policial do próprio Estado e seguranças contratados pela empresa privada.

Desde então, apoiada pela CEDAE, a prefeitura vem travando uma verdadeira batalha judicial para impedir aumentos de tarifas e retomar a concessão e os bens pertencentes à CEDAE. O objetivo principal da ação, na qual a CEDAE atua como litisconsorte, é devolver a operação dos serviços à companhia estadual que, aliás, patrocina uma outra ação nesse sentido contra a empresa Águas do Paraíba (processo nº 8621/99), junto à 4ª Vara Cível as Comarca de Campos, através da Procuradoria Geral do Estado.

A prefeitura entende que, diante das várias provas de ilegalidade e irregularidades no procedimento licitatório, destacados pela Procuradoria de Campos, em relatório da CPI local e no inquérito civil instaurado pelo Ministério Público do Estado (INQ. Civil 106/99), “a concessão dos serviços públivos de água e esgoto na cidade de Campos deve realmente retornar à CEDAE”. É importante frisar que a Lei Federal 8.666/93 – lei de licitações – faculta ao Poder Público rescindir contratos, desde que fiquem comprovadas irregularidades, como ocorreu em Campos, durante o processo licitatório e posterior contrato com a empresa privada.

Segundo fontes da CEDAE, além dessas irregularidades apontadas pela CPI que investigou o processo de concessão à Águas de Niterói, a companhia estadual tem ainda a ser favor o fato de que, durante os mais de 25 anos operando o sistema de Saneamento no município de Campos dos Goitacazes, “jamais deixou de cumprir com o seu dever como prestadora do serviço público de água e esgotos, tendo seus contratos firmados com o estrito cumprimento de todos os requisitos legais para a celebração da concessão”.

 

 

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