Depois da Região dos Lagos, onde a qualidade da água caiu sensivelmente assim que o sistema foi privatizado pelo governo do estado, agora é a vez de a população de Petrópolis amargar os prejuízos da privatização do abastecimento local, cuja operação foi entregue pelo município à gestão privada, através do Consórcio Águas do Imperador.
Em nota publicada na edição do dia 15 de setembro do jornal O Globo, o jornalista Ricardo Boechat denuncia que “a água distribuída no bairro da Taquara, onde vivem cerca de 30 mil pessoas, não serve para beber nem depois de fervida, tal o seu grau de impurezas e de contaminação. “Em termos de saneamento, a cidade voltou aos tempos imperiais”, afirma a nota.
Por engano da coluna, o texto publicado pelo Globo cobrava soluções da Cedae, ignorando que a empresa nunca operou aquele sistema, que, antes de ser privatizado, era de responsabilidade da prefeitura local. A informação causou reações imediatas dos técnicos da Cedae, que encaminharam, através da Aseac, uma nota de esclarecimento ao colunista solicitando a retificação da informação, no que foram atendidos no dia seguinte (16 de setembro).
Na nota, os técnicos da Companhia esclareceram que “o tratamento e a distribuição de água no município de Petrópolis são de responsabilidade do consórcio privado denominado Águas do Imperador. A Cedae nunca operou o sistema de água de Petrópolis”. Acrescentam ainda que o único contato mantido com aquele município pela empresa era efetuado através de troca de informações técnicas por alguns de seus profissionais, quando este sistema era público e mantido pelo SAAE de Petrópolis (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Petrópolis) e, nos anos de 1988 e 1996.
Mau exemplo
A perda da qualidade da água após a transferência dos serviços de saneamento ao setor privado não é privilégio apenas de Petrópolis. Na Região dos Lagos, o mesmo problema ocorreu depois que o governo do estado decidiu privatizar o abastecimento de água naquelas cidades, transferindo os serviços aos consórcios Águas de Juturnaíba e Pró-Lagos.
“Bastou a Cedae deixar de vez a operação do sistema para a qualidade da água cair, colocando em risco a saúde da população”, denunciava a Aseac a parlamentares na Assembléia Legislativa do Estado (Alerj), em julho, tão logo ficou constatado que o Consórcio Águas de Juturnaíba não estava operando de maneira adequada a estação de tratamento local por falta de conhecimento técnico. A água coletada em diversas ruas daquele município, de Arraial do Cabo e de São Pedro D’Aldeia estava, em maio, contaminada com coliformes fecais e coliformes totais.
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