Os “Cavalheiros” Apocalípticos

Sociedade deve ficar alerta

 

 

Ao fazer uma análise sobre a unanimidade nacional contra o projeto do Executivo que privatiza o setor de Saneamento Básico, o deputado Sérgio Novais (PSB/CE) afirmou que a divisão da bancada governista é resultado da forte reação da sociedade brasileira, de setores organizados, entre os quais a igreja, que não aceitam transformar a água em uma mercadoria, depois do fiasco da privatização do setor elétrico:

 

“Água é vida. Sem água, o cidadão comum sabe que não há como viver, não há como alimentar e dar de beber à sua família, aos animais no campo, não há como irrigar a plantação para produzir os alimentos. Não há como fazer sua higiene pessoal. Se falta luz, há como se virar, acendendo-se uma vela; sem água, o cidadão comum sabe que não tem como viver”.

 

Sérgio Novais foi categórico ao afirmar que o projeto do governo fragiliza o setor, impedindo a introdução de mecanismos democráticos na aquisição de financiamentos e na utilização dos recursos hídricos:

 

“A centralização das decisões sobre os recursos hídricos, através dos Comitês de Bacias, significaria uma precariedade total para um grande número de brasileiros. Precisamos debater outros caminhos, outras alternativas do ponto de vista de investimentos para garantir às gerações futuras recursos hídricos, que podem se tornar escassos. Precisamos recuperar nossos rios e dotar o país de uma estrutura de Saneamento que leve em consideração o desenvolvimento urbano, a melhoria da qualidade de vida e de saúde da população. E não utilize a água como mercadoria”.

 

Para o deputado, a reação contra a privatização do Saneamento precisa crescer ainda mais, de forma a sepultar a questão no Congresso Nacional: “Vamos brigar para que este projeto e seu substitutivo nem sejam votados. O Brasil precisa lutar para que o setor de Saneamento Básico não seja privatizado”.

 

Ainda sobre a questão e as manifestações ocorridas no dia 23, na Câmara Federal, Sérgio Novais fez um alerta: “Não podemos cochilar. Já assisti, aqui, a diversas manifestações da sociedade contra outras privatizações. E, lamentavelmente, na hora da votação, valeu muito mais a sensibilização pelo poder econômico. É claro, que a pressão da sociedade já influenciou em muita coisa, como, por exemplo, no ritmo de tramitação do projeto. Mas, de qualquer forma, não podemos cochilar, precisamos estar alertas, sob o risco do poder econômico agir rapidamente para garantir seus interesses”.

 

Segundo Sérgio Novais, a privatização do setor elétrico despertou o homem comum para o risco das privatizações: “Este cidadão comum começou a sentir na pele. Primeiro, foram os apagões e, agora, a falta de recursos para pagar o aumento da tarifa. Mas, ele se vira, deixa uma só lâmpada acesa, desliga seus equipamentos, acende uma vela... Mas, sem água, não há o que fazer. Água é vida. Se a água virar mercadoria, os que podem pagar vão continuar vivendo, os que não podem serão eliminados”.

 

Sobre os serviços de esgotamento sanitário, o deputado explicou que estes também são rentáveis: “O esgoto é vital, necessário e rentável. E o interessante é que as tubulações de esgotamento sanitário podem ser utilizadas paralelamente como uma grande rede de dutos de fibra ótica e/ou de outros tipos de equipamentos que serviriam a um processo  de transporte de informação – área bastante disputada em todo o mundo” – finalizou.

 

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