O Brasil voando às cegas

 

Paraíba do Sul: um rio no curso da morte

 

 

 

O grau de dependência que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro tem em relação à bacia hidrográfica rio Paraíba do Sul confere características estratégicas àquela fonte de água. Daí a reação dos sanitaristas quando o governo federal decidiu privatizar a Light, entregando as usinas localizadas naquela bacia, até então sob controle do Estado, à estatal francesa EDF.

 

Na verdade, os dois sistemas funcionam de maneira interligada, pois a mesma água que gera energia nas hidrelétricas Nilo Peçanha, Fontes e Pereira Passos é utilizada também para abastecer cerca de 10 milhões de pessoas com água potável - 80% da população da capital e das cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

 

Assim, a produção de água tratada e de energia elétrica para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro é feita através de um sistema integrado, que faz da Cedae e da Light os dois maiores usuários da Bacia do rio Paraíba do Sul. Nesse sistema, 160m3/seg. das águas do rio são desviados pela Usina Elevatória de Santa Cecília, para o Reservatório de Santana, no rio Pirai, e, posteriormente, através de novo bombeamento, na Usina Elevatória de Vigário, para o reservatório de Vigário. Deste último, após já terem ultrapassado a Serra do Mar, as águas descem através de condutos, por gravidade, em direção à Baía de Sepetiba, indo alimentar as três hidrelétricas (Nilo Peçanha, Fontes e Pereira Passos) e a tomada de água da Estação de Tratamento de Água do Guandu, além de algumas indústrias e culturas agrícolas locais.

 

A água para o abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro chega às torneiras da população, através da transposição da Serra do Mar pelo rio Paraíba do Sul que, após a geração de energia elétrica, dá  origem ao rio Guandu. Este, por sua vez, forma uma sub-bacia que recebe contribuições dos rios que margeiam a Baixada Fluminense. A formação deste rio artificial foi uma obra de engenharia marcante e proporcionou a instalação de uma tomada d’água que, hoje, está edificada para retirar do rio Guandu uma vazão de até 80m3/segundo.

 

Apesar da importância do Paraíba do Sul, a preservação e a despoluição de sua bacia não têm recebido a prioridade necessária por parte do Poder Público estadual. O rio se encontra assoreado, poluído e, embora o assunto seja debatido há anos, pouco se fez efetivamente para garantir a longo prazo a sua sobrevivência. E como recebe águas do Paraíba, a sub-bacia do rio Guandu se encontra também bastante poluída, o que pode trazer conseqüências drásticas ao abastecimento da Região Metropolitana do Estado nos próximos anos.

 

A Bacia do Paraíba ocupa uma área de 57 mil Km2, divididos entre os estados de São Paulo (13.500 Km2), Minas Gerais (20.900 Km2) e Rio de Janeiro (22.600 Km2), com uma população residente da ordem de 4.825 mil pessoas. Somente no Estado do Rio de Janeiro, residem na Bacia 2.125 mil pessoas, sendo que os municípios que compõem a área de abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro não pertencem à Bacia do rio Paraíba do Sul, pois estão na outra vertente da Serra do Mar.

 

O rio Paraíba do Sul nasce no início do rio Piraitinga, na Serra da  Bocaina (MG), e tem mais de 1.100 Km de comprimento.

 

 

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