Dança das cadeiras

 

Comissão promete apurar irregularidades

 

Processo de privatização promovido pelo governo Marcello

Alencar começa a ser investigado em clima de desconfiança

 

        

O deputado socialista Jamil Haddad, do partido do governador Anthony Garotinho, já estava com quase toda a composição da CPI das Privatizações formada quando foi pego de surpresa. O deputado Albano Reis, do PDT, passou a reivindicar o direito de presidir a comissão porque havia feito, no ano passado, o primeiro requerimento pedindo a criação da CPI. “Estão querendo me derrubar”, diz Jamil Haddad.

O político socialista já teve de abortar uma composição da comissão indicada no gabinete do presidente da Alerj, Sérgio Cabral Filho (PMDB), sem que sequer tivesse sido consultado. Não foi a primeira adversidade que enfrentou desde que apresentou, em 7 de março, o requerimento pedindo a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o que houve com a venda do Banerj, do Metrô, da Light, da Cerj e de outras empresas. As duas primeiras sessões convocadas para votar o requerimento não tiveram quórum. No dia 10 de abril, finalmente, 34 deputados votaram a favor da instalação da comissão, contra 14 que foram contra e um que se absteve.

 

“As denúncias mais comuns são de avaliação inferior ao valor do patrimônio público, de demissões em massa de servidores e de terceirização. O resultado se reflete na qualidade dos serviços prestados à população”, diz Jamil Haddad.  “Disseram que a privatização faria o estado gastar menos em investimentos e pessoal, economia que seria aplicada em educação e saúde e os serviços iam melhorar. Nada foi cumprido. As tarifas aumentaram, os serviços pioraram e as finanças do estado não foram resolvidas.”

 

Jamil Haddad dá nome aos bois. “O problema é o PMDB que conta com muita gente egressa do PSDB do tempo do governador Marcello Alencar.” Os peemedebistas são 19 deputados, quase um terço da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Representam uma força contrária, nada desprezível para se revolver a polêmica das privatizações no estado. O tema atiça a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro não é de hoje. No ano passado, o plenário da Alerj chegou a aprovar o requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as denúncias de irregularidades que pipocam contra o Plano Estadual de Desestatização (PED), comandado pelo então secretário de Planejamento, Marco Aurélio Alencar, filho do governador Marcelo Alencar.

 

A primeira CPI das Privatizações, presidida e relatada pela deputada Núbia Cozzolino, do PTB, não chegou a lugar nenhum. O estudo encomendado à Coppe e ao Crea-RJ em janeiro do ano passado pelo deputado federal Jorge Bittar, então secretário de Planejamento do governo Anthony Garotinho, chegou - mas, sabe-se lá porque, acabou engavetado. Vai virar peça fundamental agora na segunda CPI das Privatizações, que tem três meses, prorrogáveis por mais três, para chegar a algum lugar.

 

... voltar