Rota de colisão

Deboche

 

 

Durante o protesto na Câmara Federal, a deputada classificou como “irônica” e “desrespeitosa” a entrevista do diretor-geral da Companhia Águas do Amazonas, empresa francesa pertencente ao grupo Lyonnaise des Eaux, que adquiriu o controle da ex-estatal Cosama. Segundo a parlamentar, o diretor da empresa disse que o desabastecimento de Manaus foi uma fatalidade: “Ora, dizer que acidentes desse porte ocorrem por fatalidade é um desrespeito desse executivo, que sequer fala português, e sim um francês carregado. Ele deveria zombar menos dos manauaras que estão sofrendo com a falta de água e cuidar de amenizar o problema e o sofrimento da população”, cobrou Vanessa. “O executivo deveria vir a público assumir o que sua companhia fez no período pós-privatização, quando demitiu centenas de empregados”, criticou a deputada.

 

A parlamentar relatou ainda que, não satisfeita com as demissões de técnicos qualificados que tinham uma vida inteira de serviços prestados à antiga estatal Cosama, a Lyonnaise des Eaux mandou vir do exterior - Uruguai, Argentina e países da Europa, inclusive a França - grande parte dos dirigentes da empresa, o que também representa um desrespeito aos técnicos brasileiros, particularmente, do estado do Amazonas. “Nunca na história do Amazonas, que possui um dos maiores mananciais do planeta, houve falta de água por uma semana em Manaus. Isso é um absurdo e mostra o fruto da privatização, que tantos decantam como sendo uma maravilha”, acrescentou a deputada.

 

“Na prática, a privatização encarece o preço da água e expõe a população à queda da qualidade dos serviços de saneamento”, denunciou a deputada, afirmando que já enviou denúncia ao Ministério Público exigindo a devolução de cada centavo pago pela população à multinacional francesa, por reparação de danos. “Quem sabe, assim, conseguimos reverter esta situação, e a Cosama volte a ser um patrimônio público”, concluiu a deputada federal.

 

Para o deputado Sérgio Novais (PSDB/CE), o principal problema da privatização dos serviços públicos é, com certeza, a elevação de tarifas. Na Argentina, o aumento foi de 300% após a privatização do setor. Em Cochabamba, cidade da Bolívia com 600 mil habitantes, os protestos nas ruas contra o aumento de preços foram tantos que o governo teve que voltar atrás. Na Argentina, na Província de Tucumã, a população reclama, além da deficiência do serviço, de que “os empresários do setor não aplicam recursos próprios e se utilizam das tarifas para cumprir metas de investimento”, disse o deputado. Na Inglaterra, no governo Thachter, a elevação das tarifas, após a privatização do saneamento, foi de 100%, e a empresa privada não cumpriu suas metas, tanto que o governo britânico foi obrigado a adotar medidas fiscais contra o setor.

 

No Brasil, Sérgio Novais teme que uma das primeiras conseqüências da privatização do saneamento seja o fim da tarifa social da água, que hoje é de R$ 0,25 por metro cúbico (em média) em todo o país, enquanto os padrões internacionais apontam para tarifas de US$ 6 o metro cúbico. “Por isso é fácil entender a avidez das empresas privadas”, informou o deputado. A tarifa média cobrada pelas companhias estaduais varia entre US$ 1 a US$ 2, e já com muito impacto na economia popular.


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