Governador Anthony Garotinho manda reestruturar Cedae

 

 

Recursos para obras da Barra não estão

garantidos no Orçamento do Estado

 

 

Apesar de o governador Anthony Garotinho afirmar que a Cedae vai construir o sistema de esgotamento sanitário (emissário submarino, estação de tratamento de esgotos e parte da rede coletora) que vai sanear os bairros da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, não existe definido no orçamento do estado nenhum tostão para a referida obra. Segundo o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, deputado Carlos Minc (PT), o Governo do Estado ignorou a questão no orçamento de 2001 e não há dotação orçamentária definida para as obras de saneamento da região.

 

Minc explicou que mesmo que Anthony Garotinho utilize os recursos do Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente (Fecam), provenientes dos royalties do petróleo, para sanear a região, isto deveria estar definido no orçamento. Disse ainda que, de concreto, existem apenas R$ 6 milhões para serem gastos na construção do emissário submarino da Barra. Esses recursos foram provenientes de uma emenda do PT ao orçamento do Estado.

 

Carlos Minc discordou da intenção do governador de usar todos os recursos do Fecam nas obras da Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá. Segundo Minc, o governador já deveria ter destinado recursos extras para sanear a região. “Nós, do PT, somos convictos de a questão do saneamento tem que estar nas mãos do poder público. O que não pode é o governador usar toda a verba do Fecam em saneamento básico. Ora, esta verba é destinada também à proteção das nossas florestas e lagoas, além de resolver o problema do lixo químico. Ou seja, para solucionar vários pontos relativos ao meio ambiente”.

 

O deputado acha temerária a afirmação de que os recursos do Fundo serão suficientes para a conclusão daquelas obras de saneamento: “O Estado não tem certeza de quanto receberá dos royalties do petróleo este ano. Em 1999, os royalties foram de R$ 210 milhões. Em 2000, chegaram a R$ 750 milhões, porque houve aumento de produção e do preço do petróleo. Pelo que está apontando o mercado internacional, o preço do barril vai estar em queda em 2001”.

 

Além de não acreditar que a construção do sistema de tratamento de esgoto da Barra, Recreio e Jacarepaguá fique em R$ 139 milhões, como estima o governo, Carlos Minc afirmou que, pelas suas contas, o saneamento da região não ficará por menos de R$ 180 milhões.

 

Na opinião do deputado, a Cedae terá que realizar esta obra, porque é uma obrigação da empresa resolver a questão, protelada pelos governos anteriores. Mas, para ele, a simples promessa do governador não garante a construção do emissário: “É importante lembrar que, dos R$ 42 milhões que foram para o Fecam, apenas 1% foi destinado à conservação do meio ambiente. O restante dos recursos, Garotinho preferiu gastar na abertura de estradas em regiões em que ele queria investir politicamente. E, no ano 2000, o investimento foi de apenas R$ 20 milhões em meio ambiente”.

 

Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, a questão ambiental ficou relegada a segundo plano: “Entrei com ações no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado porque houve desvio do dinheiro do Fecam para outros setores. E, apesar de o saneamento estar incluído como uma das destinações do Fecam, não há garantias de que o dinheiro será usado no saneamento”, comentou Minc. O deputado criticou a postura de Garotinho em relação à gestão da Cedae. De acordo com ele, o governador não pode atrelar o investimento em tratamento de água e esgoto à política. Ele citou o caso de Niterói, no qual o governador resolveu romper o convênio com a concessionária Águas de Niterói após se desentender com o prefeito Jorge Roberto da Silveira. “Quer dizer que se ganhasse o Zveiter (Sérgio Zveiter) em Niterói, a política de saneamento seria uma. Como ganhou o Jorge Roberto, acabou sendo outra. A questão do saneamento não pode ser tratada desta maneira”. Minc disse que, a mesma atitude, Garotinho tomou após a vitória de César Maia na disputa pela Prefeitura do Rio.

 

 


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