Senador Álvaro Dias propõe plebiscito

 

 

Projeto de lei de Garotinho tenta

legalizar gestão irregular dos recursos

 

 

O governador do Estado Anthony Garotinho descobriu uma forma de burlar a lei que regula a aplicação dos royalties, para manter a concentração dos investimentos em pavimentação em detrimento dos setor de saneamento – cujas obras normalmente ficam enterradas no chão e não são visíveis aos olhos dos eleitores. Garotinho acaba de preparar uma proposta de emenda constitucional que altera o destino dos recursos dos royalties do petróleo, geridos através do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (FECAM).

 

A manobra do governador é simples: através de mudança na Constituição do Estado, Garotinho autorizou a criação do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano, alterando, de forma sutil, o nome do fundo, para permitir que os recursos sejam destinados não apenas a programas e projetos de preservação ambiental. A proposta de emenda constitucional número 29/2000 foi publicada no Diário Oficial do dia 31 de outubro.

 

Na opinião do diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), José Conrado de Souza, com a mudança, o governador Garotinho quer legalizar as irregularidades que vem cometendo na aplicação dos Royalties, sobre os quais o Estado recebe 42%. Segundo ele, somente este ano, a arrecadação chegou a R$ 485 milhões em nove meses. Esse total inclui uma receita adicional de cerca de R$ 260 milhões em relação ao previsto - R$ 225 milhões - que foi comprometido num acordo firmado entre Garotinho e FHC para pagar a dívida do Estado. Para Conrado, os argumentos do governador, de que a Lei 9.478/97, que flexibilizou o monopólio do petróleo, não dá destinação aos recursos não procede, porque ela apenas elevou os percentuais dos royalties de 5% para 10%. A lei do Petróleo não alterou a lei 7.990 (de dezembro de 1989), que trata da destinação e continua em vigência. O volume de royalties deste ano, somado à arrecadação da Cedae, seria suficiente, inclusive, para evitar a privatização do Saneamento na Barra, mantendo a coerência das promessas de campanha do governador.

 

 





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