Depois de ouvir uma exposição sobre as metas traçadas pela atual direção da Cedae e analisar os números referentes ao desempenho recente da Companhia, o governador do Estado do Rio de janeiro, Anthony Garotinho, reiterou, no dia 11 de março, em visita à empresa, o compromisso de não privatizá-la e apoiar um programa destinado a recuperar sua arrecadação e reduzir a evasão de receita. Em função disso, a Cedae já assinou um convênio com a Fundação Getúlio Vargas para elaborar uma nova proposta destinada a mudar o perfil da Companhia. A dúvida da Aseac é se esse novo perfil transformará a Cedae em uma empresa produtora de água, com a sua distribuição privatizada.
O estudo deverá ficar pronto dentro de, no máximo, 60 dias e, segundo fontes ligadas à direção da Companhia, tem por objetivo principal reduzir os níveis de despesas para permitir o aumento dos investimentos com recursos próprios.
Garotinho, que desde que assumiu o governo ainda não havia visitado a sede da Cedae, disse estar impressionado com a capacidade de seus quadros técnicos. Ele ouviu exposições do presidente, Alberto Mendes Gomes, e de alguns diretores, durante as cerca de seis horas em que permaneceu na empresa, de onde teria saído convencido da viabilidade da Cedae como empresa pública.
Segundo fontes que tiveram acesso ao conteúdo dos temas discutidos nas reuniões mantidas por Garotinho na Companhia, o governador fez uma análise crítica dos números relativos ao custeio da Cedae, afirmando que uma empresa que fatura R$ 1 bilhão por ano tem que ser viável economicamente. No entender do governador, alguns dos atuais preços pagos pela Companhia podem sofrer cortes, entre os quais os de produtos químicos, aluguel de imóveis, manutenção de prédios etc. Para o governador, hoje, ninguém contesta a qualidade da água fornecida pela Cedae, mas a Empresa pode e deve aumentar seus investimentos, viabilizando recursos através do corte de despesas de custeio, considerando-se que a empresa não estaria mais atrelada ao caixa único e já teria autonomia para gerir seus recursos.
A ASEAC considera esta redução de custeio temerosa e acha que, ao contrário, a Cedae deveria ter uma reserva técnica financeira para eventualidades, tais como fortes temporais, que possam levar a água da ETA-Guandu a níveis de intratabilidade; rompimento de adutoras ou mesmo um possível desabamento no túnel Guandu-Lameirão - cuja hipótese já foi admitida por técnicos da Companhia. Além disso, a diretoria da Aseac acha mais adequado que, antes de aceitar ou sugerir cortes no custeio da Cedae, o governo quantificasse, efetivamente, o tamanho da redução dessas despesas.
O chefe do Executivo estadual mostrou-se preocupado, também, com a área comercial da Companhia, e determinou estudos para a adoção de medidas destinadas a aumentar a arrecadação e reduzir a inadimplência. Garotinho se deteve também no exame do perfil dos juros pagos ao Banco do Brasil, por conta de um empréstimo contraído junto àquela instituição para complementar o pagamento de obras realizadas na ampliação do Guandu, que considerou "excessivamente altos e absurdos". Ele recomendou à direção da Cedae que procure o Banco do Brasil para tentar renegociar essas taxas dentro de parâmetros mais realistas.
Durante sua visita à Cedae, o governador ouviu dos técnicos da diretoria de Esgotos uma exposição sobre o problema da mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, exigindo da direção da empresa uma posição mais firme com relação ao problema. Garotinho quer mostrar à sociedade que as redes pluviais por onde estão escoando os detritos que poluem aquele corpo d'água são de responsabilidade da prefeitura e não da Cedae. Em seguida, em entrevista coletiva nas dependências da empresa, o governador reiterou publicamente os compromissos assumidos com os pescadores da área da Lagoa Rodrigo de Freitas no sentido de tomar todas as providências para evitar a poluição por esgotos. Mas fez questão de deixar claro que a responsabilidade pelo quadro atual não é da Cedae, mas sim da prefeitura.
Por fim, Garotinho explicou à imprensa os investimentos que estão sendo feitos na recuperação do emissário submarino de Ipanema e na troca de toda a tubulação de esgotos da rua Visconde de Pirajá, que vão contribuir muito para melhorar os serviços prestados à população da Zona Sul. Antes de o governador deixar a empresa, a diretoria da Cedae recebeu algumas lideranças sindicais, comprometendo-se a incluir dois de seus representantes no processo de recuperação da Companhia.
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