As deficiências de abastecimento não atingem apenas o município de Búzios. Em toda a Região dos Lagos a situação é crítica, sendo que Iguaba Grande é uma das localidades mais prejudicadas. Segundo o prefeito, Hugo Canellas Filho, durante o verão a população da cidade cresce de 20 mil habitantes para 80 mil, e para que a água chegue a toda essa gente é necessário que a Prolagos forneça de 100 a 120 litros por segundo à cidade. Hugo Canellas reclamou, no entanto, que a Prolagos só consegue fornecer a Iguaba cerca de 65 litros por segundo do produto.
Para tentar resolver o problema durante o mês de janeiro, a população se mobilizou em duas manifestações em frente à sede da Prolagos, além de fechar por algumas horas o trânsito na Rodovia Amaral Peixoto. O objetivo, segundo o prefeito, era pressionar a Prolagos e chamar a atenção da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado (Asep) para que esta tomasse uma atitude, exigindo que a Prolagos forneça a água necessária à população.
Águas de Juturnaíba
Toda a água distribuída na Região dos Lagos vem da Lagoa de Juturnaíba, única fonte de abastecimento da região. A vazão da lagoa, situada entre o distrito de São Vicente, em Araruama, e o município de Silva Jardim, é regulada pela empresa privada Águas de Juturnaíba, que tem a concessão para abastecer os municípios de Araruama, Saquarema e Silva Jardim. Por sua vez, a concessão para distribuir água para Iguaba Grande, Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo e São Pedro da Aldeia é da Prolagos.
Aliás, segundo o prefeito de Iguaba Grande, a questão do preço da água vendida pela concessionária Águas de Juturnaíba à Prolagos deveria ser melhor analisada. Hugo Canellas explicou que o metro cúbico da água é comprado pela Prolagos R$ 0,04 centavos, quando o preço justo deveria variar de R$ 0,35 a R$ 0,40:
"Com um preço tão baixo, Águas de Juturnaíba não tem interesse de facilitar a venda da água para a Prolagos distribuir nos quatro municípios, para os quais tem a concessão. O contrato definindo o preço do metro cúbico foi mal elaborado, feito às pressas"- adverte Canellas.
Para solucionar, a curto prazo, a questão do abastecimento de Iguaba, Hugo Canellas sugere que a captação da água que é distribuída em seu município seja feita no ramal da adutora, que abastece Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios e São Pedro da Aldeia. Atualmente, o município de Iguaba recebe água de uma adutora menor, localizada no bairro da Pedreira.
Já a Prolagos, diante dos protestos da população e do Poder Público, prometeu que vai abrir uma nova tomada d'água em São Pedro da Aldeia, exclusiva para os pipeiros de Iguaba. Hoje, explicou Hugo Canellas, os moradores dos bairros mais afastados do Centro da Cidade, como por exemplo Arrastão das Pedras, são os mais prejudicados. Aliás, em Iguaba, desde dezembro, o abastecimento está precário e até os caminhões pipa, que cobram R$ 70 a R$ 80, por 10 mil litros de água, têm sido escassos.
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