Campos, Friburgo e Niterói: caso de polícia e extorsão



A privatização de Campos entrou na pauta. Depois que as procuradorias do Estado e do município conseguiram perder todos os prazos para intervir no processo, a empresa privada Águas do Paraíba conseguiu uma liminar e, após cenas de violência, com direito a tiroteio e tudo o mais, acabou assumindo os serviços de saneamento no município, apesar do prefeito pedetista e do próprio governador continuarem afirmando, até hoje, que são contra a privatização.

A privatização de Campos entrou na pauta. Depois que as procuradorias do Estado e do município conseguiram perder todos os prazos para intervir no processo, a empresa privada Águas do Paraíba conseguiu uma liminar e, após cenas de violência, com direito a tiroteio e tudo o mais, acabou assumindo os serviços de saneamento no município, apesar do prefeito pedetista e do próprio governador continuarem afirmando, até hoje, que são contra a privatização.

Em junho, o Jornal da ASEAC publicava a manchete de criação da Frente Parlamentar em Defesa da Cedae Pública e Eficiente. Por 26 votos a favor, a Assembléia Legislativa aprovava a proposta do deputado Paulo Ramos, também do PDT. Ainda em junho, o jornal publicou matéria onde o novo presidente da Cedae, Alberto José Gomes, amigo de infância do governador, afirmava que Garotinho não iria privatizar a Cedae. No mês seguinte, no entanto, o próprio Alberto admitia a hipótese de entregar os serviços de saneamento à prefeitura de Niterói.

Na mesma ocasião, o jornal recebeu a informação de uma alta fonte do governo de que Garotinho prometeu a Jorge Roberto lhe entregar os serviços de saneamento, desde que este o apoiasse na eleição para o governo do Estado. Para tentar reverter o processo na Alerj, a deputada Solange Amaral apresentou em agosto um projeto de lei, colocando em xeque a política de saneamento do governo Garotinho. O projeto, que tornava o saneamento competência exclusiva e intransferível do Estado, foi aprovado por aclamação na Assembléia. E, a seguir, vetado, pela vice-governadora Benedita da Silva, atitude que deixou ainda mais à mostra as feridas do PT no Estado do Rio.

No jornal de agosto, o destaque foi a privatização em Friburgo. Em menos de um mês, após assumir o sistema de saneamento do município, a concessionária Caenf - formada pela multinacional americana Tyco e pela Multiservice - aumentou a conta da água em cerca de 6.000%. Em setembro, em edição especial, a Aseac denunciava que, embora a Cedae gastasse R$ 0,60 para tratar o metro cúbico da água, o prefeito Jorge Roberto da Silveira decidiu que a empresa privada Águas de Niterói só pagaria R$ 0,14 pelo metro cúbico de água fornecido.

No mês seguinte, o jornal publicou, em primeira mão, um estudo de juristas de todo o país, encomendado pelo governador de Minas e ex-presidente da República Itamar Franco, onde fica comprovado que vender as hidrelétricas ou empresas de saneamento é vender as fontes hídricas e que isto é ilegal. Ainda naquela edição, o Jornal da ASEAC contestava a atitude da vice-governadora, que vetou o projeto de lei, que impediria a privatização da Cedae.

Em outubro, a ASEAC publicou uma edição especial explicando os riscos técnicos de se privatizar sistemas integrados de saneamento. Por fim, ainda em outubro, o jornal concluiu, através de matéria sobre a renegociação da dívida do Estado com a União, que Garotinho pode ter negociado a Cedae em troca de privilégios na renegociação dos débitos do Estado, traindo compromissos assumidos com seus eleitores.




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